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    Tecnologia

    Golpes com inteligência artificial e deepfakes aumentam alerta para segurança digital no Pará

    Emilio CorvaniPost Emilio Corvanisetembro 2, 2026Nenhum comentário7 Min de leitura2 Views
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    Criminosos utilizam vídeos manipulados, clonagem de voz, mensagens falsas e links fraudulentos para tornar ataques virtuais mais convincentes; especialistas recomendam verificar a origem dos conteúdos antes de clicar ou compartilhar

    O avanço da inteligência artificial generativa está modificando também a maneira como golpes digitais são produzidos e distribuídos. Ferramentas capazes de gerar imagens, vídeos, textos e vozes cada vez mais realistas podem ser utilizadas por criminosos para criar mensagens fraudulentas difíceis de distinguir de comunicações legítimas, aumentando a necessidade de atenção dos usuários no Pará e em todo o país.

    O alerta ganhou destaque nesta quarta-feira, 2 de setembro, diante da utilização de assuntos de grande repercussão como iscas para ataques virtuais. Segundo reportagem publicada pelo Diário do Pará, criminosos aproveitam temas que despertam curiosidade, urgência ou forte interesse público para enviar links fraudulentos por aplicativos de mensagens, redes sociais e SMS. Ao acessar o endereço, a vítima pode acabar fornecendo informações pessoais ou permitindo que códigos maliciosos comprometam o aparelho. (Diário do Pará)

    A inteligência artificial torna esse cenário mais complexo porque permite produzir materiais falsos com aparência profissional em pouco tempo. Um vídeo pode apresentar uma pessoa aparentemente pronunciando palavras que nunca disse, enquanto ferramentas de síntese de voz conseguem reproduzir características de uma fala. Textos, imagens e páginas falsas também podem ser combinados para tornar uma tentativa de fraude mais convincente.

    A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) define os deepfakes, de maneira simplificada, como áudios, fotografias ou vídeos modificados ou artificialmente criados com inteligência artificial. No caso da clonagem de voz, sistemas podem reproduzir tom, vocabulário e estilo de uma pessoa, aumentando a capacidade de convencimento do conteúdo sintético. (Serviços e Informações do Brasil)

    Deepfakes tornam golpes digitais mais sofisticados

    Uma das principais mudanças provocadas pela inteligência artificial está na qualidade dos materiais utilizados pelos criminosos. Golpes virtuais tradicionalmente associados a mensagens mal escritas ou páginas visualmente pouco convincentes podem ganhar uma aparência muito mais próxima de uma comunicação verdadeira quando combinados com ferramentas generativas.

    Os deepfakes representam uma das aplicações mais preocupantes dessa tecnologia. Vídeos manipulados podem reproduzir movimentos faciais e sincronizar artificialmente os lábios com uma fala fabricada. Em outros casos, sistemas conseguem gerar imagens realistas de pessoas ou situações inexistentes, além de alterar elementos de registros verdadeiros. (Serviços e Informações do Brasil)

    A clonagem de voz acrescenta outra camada ao problema. Em vez de depender somente de uma mensagem escrita, um golpista pode utilizar áudio sintético para tentar se passar por outra pessoa. A semelhança com uma voz conhecida aumenta o potencial de convencimento, principalmente quando a mensagem envolve situações apresentadas como urgentes.

    O cenário exige uma mudança de comportamento dos próprios usuários. Receber um vídeo ou áudio aparentemente convincente já não significa necessariamente que aquele conteúdo representa um acontecimento verdadeiro. Verificar a origem da informação e procurar uma segunda confirmação passa a ser uma etapa importante antes de realizar pagamentos, fornecer dados ou compartilhar arquivos.

    Links falsos continuam entre as principais portas de entrada

    Apesar do avanço dos deepfakes, técnicas tradicionais de fraude continuam sendo utilizadas. Links enviados por aplicativos de mensagens, redes sociais e SMS permanecem entre os recursos empregados para direcionar usuários a páginas fraudulentas.

    Segundo o especialista em cibersegurança Alberto Jorge, ouvido pelo Diário do Pará, criminosos acompanham os assuntos que estão em evidência e adaptam suas campanhas para aumentar as chances de alguém clicar. A estratégia já foi aplicada em golpes relacionados a temas como INSS, Black Friday e Natal, demonstrando como diferentes acontecimentos podem ser transformados em iscas digitais. (Diário do Pará)

    Depois que a vítima acessa um endereço malicioso, diferentes ataques podem ocorrer. Dados pessoais podem ser solicitados por meio de formulários falsos, enquanto determinados arquivos ou páginas podem tentar comprometer o dispositivo. Informações obtidas dessa maneira também podem servir de ponto de partida para novas fraudes.

    Por isso, mensagens que utilizam expressões de urgência, prometem informações exclusivas ou pressionam o usuário para realizar imediatamente alguma ação merecem atenção especial. Em vez de acessar diretamente o endereço recebido, a recomendação é procurar o serviço ou instituição por seus canais oficiais.

    Golpes também representam risco para empresas

    As consequências de um ataque não ficam necessariamente restritas aos dados pessoais da vítima. Muitas pessoas utilizam o mesmo smartphone ou computador para acessar informações profissionais, e um aparelho comprometido pode acabar criando uma porta de entrada para ambientes corporativos.

    Segundo o especialista ouvido pela reportagem, dispositivos corporativos comprometidos podem contribuir para vazamento de dados, infecção por programas maliciosos e outros ataques contra a organização. Dessa forma, um único clique realizado por um funcionário pode provocar consequências além da conta pessoal utilizada naquele momento. (Diário do Pará)

    Empresas precisam combinar ferramentas tecnológicas de proteção com treinamento dos funcionários. Reconhecer tentativas de phishing, utilizar autenticação em múltiplos fatores, manter sistemas atualizados e controlar permissões administrativas são medidas que podem reduzir a exposição a ataques.

    A expansão da inteligência artificial também aumenta a importância do treinamento. Uma mensagem aparentemente enviada por um superior, fornecedor ou colega pode ser falsificada, inclusive utilizando recursos capazes de reproduzir características de voz ou imagem.

    Como identificar possíveis conteúdos manipulados

    Não existe uma única característica capaz de identificar todos os deepfakes. Conforme as ferramentas evoluem, erros visuais e sonoros que antes denunciavam rapidamente uma manipulação podem ficar menos evidentes.

    Ainda assim, inconsistências entre voz e movimento dos lábios, mudanças incomuns de iluminação, comportamento estranho da imagem ou contexto incompatível com a mensagem podem justificar uma verificação adicional. O ponto mais importante é não depender exclusivamente da aparência do conteúdo para determinar se ele é verdadeiro.

    A ANPD destaca que os deepfakes podem envolver substituição de rostos, alteração de expressões, sincronização artificial da fala, geração ou modulação de vozes e até criação de imagens realistas de pessoas ou acontecimentos inexistentes. (Serviços e Informações do Brasil)

    Quando uma mensagem envolve dinheiro, dados pessoais ou alguma solicitação urgente, uma alternativa simples é confirmar a informação utilizando outro canal. Se um conhecido aparentemente pedir uma transferência por áudio, por exemplo, entrar em contato diretamente por outro meio pode ajudar a verificar a autenticidade da solicitação.

    Cuidados simples ajudam a reduzir os riscos

    A proteção contra golpes digitais começa pela cautela diante de mensagens inesperadas. Links recebidos por SMS, aplicativos de mensagens ou redes sociais não devem ser acessados automaticamente apenas porque parecem ter sido enviados por uma pessoa ou organização conhecida.

    Também é recomendável evitar o fornecimento de senhas, códigos de autenticação e dados pessoais em páginas abertas a partir de links suspeitos. Aplicativos devem ser instalados preferencialmente pelas lojas oficiais, enquanto celulares e computadores precisam permanecer atualizados.

    Vídeos, áudios e imagens surpreendentes também merecem confirmação antes de serem compartilhados. Procurar a informação em fontes confiáveis e verificar se existem outros registros independentes sobre o mesmo acontecimento pode ajudar a identificar manipulações.

    Com ferramentas de inteligência artificial tornando conteúdos falsos progressivamente mais convincentes, a segurança digital passa a depender não apenas de antivírus e sistemas de proteção, mas também do comportamento de quem utiliza a tecnologia. Desconfiar de mensagens urgentes, verificar a origem das informações e confirmar solicitações antes de agir são medidas cada vez mais importantes para evitar que conteúdos produzidos por IA sejam transformados em instrumentos de fraude.

    Fontes: Diário do Pará — reportagem publicada em 02/09/2026 e ANPD — Radar Tecnológico sobre deepfakes. (Diário do Pará)

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