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    Por que a pressa pode ser uma inimiga na conquista de credibilidade empresarial?

    Emilio CorvaniPost Emilio Corvaniagosto 14, 20264 Min de leitura
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    Alfredo Moreira Filho
    Alfredo Moreira Filho
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    O empresário e fundador e management do Grupo Valore+, Alfredo Moreira Filho, explica que empresas familiares brasileiras raramente chegam íntegras à terceira geração. O diagnóstico costuma recair sobre brigas entre herdeiros ou sobre mercado adverso, mas há uma causa anterior e menos discutida: o que foi transferido não era o que sustentava o negócio. 

    Passaram-se cotas, imóveis, contratos e cargos. Ficou de fora o critério que fazia o fundador escolher entre duas alternativas defensáveis. Pensar em legado empresarial como patrimônio é o erro de partida. Patrimônio se inventaria; critério, não. 

    O que o fundador sabe e nunca escreveu?

    Um fundador recusa um contrato grande e ninguém entende por quê. Ele não sabe explicar direito. Diz que o cliente “não parecia certo”. Por trás dessa intuição existem trinta anos de casos parecidos: o pagamento que atrasou, o escopo que mudou no meio, o sócio que sumiu na hora do problema.

    Esse repertório funciona como um banco de decisões negativas. Ele diz o que a empresa não faz, com quem não trabalha e em que condição não entra. É a parte mais valiosa da gestão e a menos documentada, porque não aparece em balanço nem em organograma. Quando o fundador sai, o sucessor herda o direito de decidir sem herdar a régua que orientava a decisão.

    Por que treinar o herdeiro na área financeira não resolve?

    A rota mais comum é conhecida: o filho estuda administração, faz estágio no financeiro, aprende a ler demonstrativo e assume. O raciocínio parece sólido, já que os números concentram o resultado. O problema é que o financeiro registra consequências, e não escolhas. Ele mostra a margem do contrato ruim depois de o contrato existir.

    Formação de sucessor que funciona passa pelas situações em que a decisão nasce: negociação difícil, visita à obra ou operação, conversa com cliente insatisfeito, demissão de alguém querido pela equipe. Alfredo Moreira aponta que esse contato direto com a operação é parte da formação de quem vai gerir, algo que sua própria trajetória, iniciada na roça baiana e passada pelo interior amazônico, ajuda a explicar.

    O plano de sucessão que existe só no papel

    Muita empresa considera o tema resolvido porque contratou um escritório, montou uma holding e redigiu acordo de sócios. São instrumentos necessários, e nenhum deles transfere julgamento. A holding define quem manda quando o fundador não estiver. Ela não informa o que fazer com a decisão que ninguém previu. O documento cobre a estrutura societária e se encerra no ponto exato em que a gestão começa: o cliente que pede prazo maior, o gerente antigo que perdeu o ritmo, a oportunidade que exige endividar a empresa em um ano ruim.

    Um plano com efeito prático inclui algo mais simples e mais raro: o fundador decidindo junto com o sucessor por um período longo, em voz alta, explicando o motivo de cada escolha enquanto ela ainda é reversível. Vale registrar, inclusive, os casos em que ele errou. Ao reunir percepções sobre gestão em seus livros, Alfredo Moreira Filho considera que os episódios mal-sucedidos ensinam mais do que os acertos, justamente por deixarem à mostra o critério que faltou.

    Quando o balanço zera

    Existe um teste desconfortável para medir legado. Imagine a empresa vendida e o dinheiro distribuído. O que permanece? Se a resposta for apenas o valor depositado, houve transação bem-sucedida, não legado. Se permanecerem fornecedores que continuam procurando os filhos, ex-funcionários que abriram negócios próprios repetindo métodos aprendidos ali e uma comunidade que sentiu a diferença, existe algo que sobreviveu ao encerramento.

    Isso desloca a pergunta que o empresário deveria fazer aos sessenta anos. Não é quanto vou deixar, e sim quantas pessoas conseguem decidir bem por terem convivido comigo. A primeira resposta cabe em uma planilha. A segunda determina se o negócio continua existindo depois que o nome do fundador virar apenas uma linha na história da empresa.

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    Alfredo Moreira Filho Empresário Alfredo Moreira Filho Fundador e Management do Grupo Valore+ O que aconteceu com Alfredo Moreira Filho Quem é Alfredo Moreira Filho Tudo sobre Alfredo Moreira Filho
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