Nem todo consórcio precisa terminar apenas na posse de um bem para uso pessoal. O empresário Tiago Oliva Schietti chama atenção para uma estratégia cada vez mais comum entre consorciados: usar o bem adquirido pela carta de crédito como ferramenta para gerar renda extra, transformando o que seria apenas uma aquisição em um investimento produtivo.
Essa lógica se aplica a diferentes segmentos do sistema. Um imóvel contemplado pode ser destinado à locação, gerando renda mensal recorrente; um veículo pode ser direcionado a aplicativos de transporte ou entrega; e até equipamentos adquiridos por consórcios empresariais podem ser usados para prestar serviços a terceiros, ampliando a capacidade produtiva de um pequeno negócio.
Planejar essa estratégia desde a adesão faz diferença
Tiago Oliva Schietti observa que, embora seja possível decidir usar o bem para gerar renda somente depois da contemplação, planejar essa intenção desde o início do consórcio costuma trazer vantagens práticas, já que o consumidor pode escolher um valor de cota e um tipo de bem mais alinhados a esse objetivo, em vez de adaptar depois um planejamento pensado originalmente para uso pessoal.
Por exemplo, ao planejar um consórcio de imóvel com foco em locação, o consorciado pode considerar desde o início a localização mais estratégica para atrair inquilinos, e não apenas o imóvel dos sonhos para moradia própria, o que muda significativamente os critérios de escolha na hora da contemplação.
Imóveis contemplados: aluguel tradicional ou temporada
Entre as opções mais comuns está a locação residencial tradicional, com contrato de longo prazo, mas o empresário destaca que a locação por temporada, especialmente em regiões turísticas, também tem atraído consorciados interessados em rentabilizar o imóvel adquirido de forma mais flexível. Cada modalidade envolve diferentes níveis de gestão e retorno, o que exige uma análise cuidadosa antes de decidir qual caminho seguir com o bem contemplado.

Veículos: da entrega ao transporte por aplicativo
No caso de veículos, a combinação entre consórcio e aplicativos de transporte ou entrega já foi discutida em outras oportunidades, mas vale reforçar que o mesmo raciocínio se aplica a quem não trabalha diretamente nessas plataformas, mas enxerga no veículo contemplado uma oportunidade de complementar a renda familiar, seja alugando o carro para terceiros, seja utilizando-o esporadicamente em plataformas de mobilidade.
O retorno gerado pode acelerar a contemplação seguinte
Uma estratégia observada entre consorciados mais experientes é reinvestir a renda gerada pelo bem contemplado em um novo consórcio, criando um ciclo contínuo de aquisição sem juros. Tiago Oliva Schietti pondera que essa abordagem exige disciplina e planejamento tributário adequado, já que a renda obtida com aluguéis ou serviços prestados precisa ser devidamente declarada, mas pode representar uma forma consistente de construção de patrimônio ao longo dos anos.
Cuidados antes de adotar essa estratégia
Antes de planejar transformar um bem de consórcio em fonte de renda, vale considerar os custos adicionais envolvidos na manutenção do bem para uso comercial, como seguros específicos, impostos sobre a renda gerada e eventual desgaste mais acelerado em comparação ao uso pessoal. Também é importante avaliar a demanda real de mercado para aquele tipo de locação ou serviço antes de direcionar todo o planejamento para essa finalidade.
A tributação exige atenção redobrada
Um ponto que costuma ser negligenciado por quem inicia esse tipo de estratégia é o impacto tributário da renda gerada. Aluguéis recebidos, por exemplo, precisam ser declarados no Imposto de Renda e podem estar sujeitos a tributação mensal obrigatória, dependendo do valor recebido. O mesmo vale para rendimentos obtidos com a prestação de serviços por meio de um veículo ou equipamento adquirido via consórcio. Tiago Oliva Schietti recomenda que, antes de colocar essa estratégia em prática, o consorciado busque orientação contábil específica, evitando que o ganho extra planejado se transforme em um problema fiscal não previsto no início do projeto.
Tiago Oliva Schietti reforça que, embora essa estratégia possa ampliar significativamente o retorno de um consórcio, ela exige uma análise mais próxima da lógica de um investimento do que da simples aquisição de um bem para uso próprio, e por isso vale a pena contar com orientação profissional antes de estruturar esse tipo de planejamento de médio e longo prazo.
