A trajetória do empresário Fredy da Silva Gonçalves Bento, conhecido como Fredy Restrito, contraria um conselho repetido à exaustão no mundo dos negócios: escolha um setor e fique nele. Ele começou por volta do ano 2000 vendendo roupas e criou a marca Restrito. Depois passou pela gastronomia, com o Restaurante Capitães e o Hina Restaurante, fundou a Eventos Litoral e hoje comanda a Litoral Mobilidade, rede de lojas de mobilidade elétrica do litoral paulista.
À primeira vista, cada mudança de ramo parece um recomeço do zero. Não é bem assim. O produto muda, o cliente muda e as regras mudam, mas parte do que o empreendedor aprendeu atravessa a fronteira entre os setores. Nesta leitura, você vai ver o que costuma ir junto e o que precisa ser aprendido de novo.
A leitura do cliente funciona em qualquer balcão
Na loja de roupas, a peça que encalha avisa que o público mudou. No restaurante, o aviso vem do prato que volta pela metade. Num show, aparece na fila do bar que não anda. Em todos os casos, o empreendedor atento percebe o sinal antes que ele apareça no relatório financeiro.
Essa habilidade de interpretar comportamento, e não apenas números, é das que mais se transferem entre segmentos. Fredy restrito menciona que quem aprendeu a ouvir o cliente num negócio pequeno leva o hábito para o próximo, ainda que precise aprender a linguagem de outro público.
O caixa muda de forma, mas não de lógica
Cada setor tem seu jeito de prender dinheiro. No varejo de roupas, é a coleção parada na prateleira. Na gastronomia, é o insumo perecível que vence antes de virar prato. Em eventos, é o custo de palco, som e estrutura pago semanas antes da venda de ingressos. Na mobilidade elétrica, é o estoque importado que leva meses entre o pedido e a loja.
A lógica por trás é a mesma: saber quanto dinheiro está imobilizado, por quanto tempo e com que risco. O empreendedor que já passou por uma dessas situações reconhece a próxima mais depressa, porque entende que o problema raramente é a falta de venda, e sim o descompasso entre o que sai do caixa e o que entra nele.
O conhecimento técnico precisa ser aprendido de novo
Nem tudo atravessa a fronteira. Um restaurante obedece às normas sanitárias da Anvisa sobre boas práticas para serviços de alimentação, que vão da temperatura de armazenamento à higiene de quem manipula os alimentos. Um evento depende de licenças, segurança e planos de evacuação. A venda de veículos elétricos exige conhecer as categorias definidas pelo Contran e a estrutura de assistência técnica que cada modelo pede.
Esse é o ponto em que a experiência anterior pode atrapalhar, se vier acompanhada de excesso de confiança. Mudar de ramo exige humildade para estudar o setor, ouvir quem já está nele e montar equipe com conhecimento técnico. No caso de Fredy Restrito, a parceria com a irmã, Milena da Silva, no Hina Restaurante mostra uma forma de entrar num segmento novo acompanhado.
A reputação é o patrimônio que segue junto
Clientes, fornecedores e funcionários não guardam apenas a lembrança de um produto. Guardam a lembrança de como a pessoa cumpriu prazos, tratou a equipe e resolveu problemas. Essa reputação acompanha o empreendedor de um setor para outro e, muitas vezes, abre as primeiras portas no negócio seguinte.
Vista de perto, uma trajetória com várias mudanças de ramo é menos uma sequência de rupturas e mais um acúmulo de camadas. Em pouco mais de duas décadas, Fredy da Silva Gonçalves Bento passou do comércio de roupas no quarto de casa à gestão de uma operação com mais de 40 colaboradores e projeto de expansão nacional por franquias. Essa trajetória ilustra como cada etapa pode servir de base para a seguinte.
