A digitalização da construção civil deixou de ser apenas uma discussão sobre modernização. Guilherme Campos, empresário e desenvolvedor imobiliário, acompanha esse movimento a partir da perspectiva de quem atua no setor. Em 2026, ferramentas como BIM, plataformas de gestão e inteligência artificial estão sendo incorporadas ao debate sobre produtividade, planejamento e controle de obras. O objetivo mais concreto é reduzir problemas que surgem quando informações ficam dispersas, projetos não conversam entre si ou decisões são tomadas tarde demais.
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Onde os erros começam antes do canteiro?
Muitos problemas de uma obra não começam quando os trabalhadores chegam ao canteiro. Eles podem surgir ainda durante a elaboração dos projetos, quando arquitetura, estrutura e instalações são desenvolvidas sem integração suficiente. Uma interferência não identificada nessa etapa pode aparecer somente durante a execução, exigindo ajustes, retrabalho e mudanças no cronograma.
É justamente nesse ponto que o BIM, sigla para Modelagem da Informação da Construção, ganha relevância. A metodologia permite reunir informações de diferentes disciplinas em um ambiente integrado e identificar conflitos ainda no projeto. Segundo o governo federal, essa abordagem contribui para reduzir riscos de atrasos, sobrecustos e retrabalhos. Com isso, alterações podem ser feitas antes que determinado problema chegue ao canteiro, evitando intervenções que costumam consumir mais tempo e recursos.
Para Guilherme Campos, empresário e desenvolvedor imobiliário, essa lógica ajuda a mudar a relação entre tecnologia e construção. Em vez de enxergar ferramentas digitais apenas como recursos sofisticados, o setor pode utilizá-las para antecipar problemas que seriam mais caros e complexos de resolver durante a execução. A tecnologia, nesse sentido, passa a integrar o planejamento e o controle da obra, ajudando as equipes a trabalharem com informações mais precisas antes de tomar decisões.
Como o BIM ajuda a evitar retrabalho?
Uma das principais contribuições do BIM está na compatibilização dos projetos. Em um modelo integrado, diferentes informações podem ser analisadas antes que determinadas etapas sejam executadas. Isso permite identificar, por exemplo, conflitos entre instalações e elementos estruturais que poderiam gerar alterações posteriormente.

Segundo Guilherme Campos, a tecnologia também pode concentrar informações relacionadas a quantitativos, custos, cronogramas e características dos componentes da edificação. O FNDE destaca que essa integração pode aumentar a confiabilidade dos projetos, melhorar o planejamento e reduzir erros de compatibilidade. Com essas informações organizadas em um mesmo ambiente, torna-se mais fácil acompanhar alterações e identificar possíveis inconsistências antes que elas afetem a execução. Isso também contribui para uma gestão mais precisa das diferentes etapas da obra.
E quando a tecnologia chega ao canteiro?
A transformação digital não termina na fase de projeto. Sistemas de gestão podem ajudar a registrar ocorrências, acompanhar o avanço físico, controlar custos e organizar informações do canteiro em tempo real. Dessa maneira, a tecnologia passa a apoiar também o acompanhamento daquilo que foi planejado e daquilo que efetivamente está acontecendo, permitindo que eventuais desvios sejam identificados enquanto ainda há margem para ajustes.
Guilherme Campos destaca que essa conexão é importante porque uma informação que chega tarde pode limitar a capacidade de reação da equipe. Quando dados sobre execução, materiais, prazos ou alterações ficam disponíveis de maneira organizada, gestores conseguem identificar desvios com maior rapidez e avaliar medidas corretivas, evitando que pequenas inconsistências avancem para etapas mais complexas da obra.
O empresário do setor imobiliário também chama atenção para esse aspecto da gestão. Uma ferramenta digital não elimina a necessidade de profissionais qualificados, mas pode melhorar a qualidade das informações utilizadas por eles. A decisão continua sendo humana, porém passa a contar com uma base mais organizada, o que favorece análises mais rápidas e decisões alinhadas ao andamento real do empreendimento.
Para acompanhar as perspectivas de Guilherme Campos sobre negócios, mercado imobiliário e desenvolvimento, siga o Instagram @guicamposvlg.
